Metade dos eleitores brasileiros admite risco de interferência externa nas eleições, revela Datafolha
Pesquisa revela divisões entre apoiantes de Lula e de Bolsonaro num cenário de crescente tensão diplomática com os Estados Unidos e a Argentina.

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Metade da população eleitora no Brasil acredita que potências ou países estrangeiros têm a capacidade de interferir no processo eleitoral do país, segundo um levantamento do instituto Datafolha divulgado no último domingo, 23 de Agosto. Os dados mostram uma divisão clara de opiniões quanto aos potenciais impactos dessa ingerência na soberania nacional.
Segundo o estudo, dos 50% de inquiridos que vislumbram essa possibilidade, 32% encaram o cenário com preocupação e consideram-no um problema grave. Em contrapartida, 18% reconhecem a hipótese de intervenção externa mas não a avaliam de forma negativa. Apenas 43% dos participantes descartam totalmente qualquer hipótese de interferência, enquanto 8% optaram por não responder ou declararam não ter opinião formada.
A análise por segmentação política revela divergências profundas entre as bases partidárias. Entre os eleitores que apoiam o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a grande maioria dos que antevêem a interferência — cerca de 36% do total — encara essa acção como algo problemático, contra apenas 10% que a vêem sem alarme. Por sua vez, 44% deste eleitorado afasta a ideia de acções externas no pleito.
No espectro político oposto, entre os simpatizantes de Flávio Bolsonaro, a percepção altera-se significativamente. Apenas 25% temem a interferência e a consideram prejudicial. Por outro lado, a percentagem de apoiantes que admite a ingerência externa e não a vê como um problema sobe para 31%, ao passo que 38% consideram nula a hipótese de intervenção de outros países.
Esta sondagem do Datafolha surge num contexto de forte crispação e incerteza diplomática, marcado por atritos recentes entre o governo brasileiro e parceiros estratégicos como a Argentina e os Estados Unidos, liderados pelos governos de Javier Milei e Donald Trump. As tensões com Buenos Aires levaram o Itamaraty a limitar o nível de interlocução diplomática com o embaixador argentino, após sucessivas críticas do líder vizinho ao chefe de Estado brasileiro.
Paralelamente, as relações com Washington azedaram com a decisão da administração americana de revogar o visto da embaixadora do Brasil na capital norte-americana, justificando a medida com razões de reciprocidade burocrática diplomática. É neste ambiente de forte crispação internacional que cresce a percepção pública sobre eventuais influências externas na política interna do país.
O levantamento envolveu a realização de 2.058 entrevistas presenciais em todo o território brasileiro, abrangendo cidadãos com 16 ou mais anos, entre os dias 18 e 20 de Agosto. A pesquisa apresenta uma margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, contando com um nível de confiança fixado em 95% e o devido registo oficial junto dos organismos de fiscalização eleitoral.
